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| FUSE |
Fuse, "Soldado com caneta de aço e mental pesado", é uma das muitas formas de justificar o verso: "Nuno, em resumo, um dos mais criativos. Mc's portugueses a visitarem os nossos ouvidos." (Mundo, em "A chave da Saída"). Se tal não for suficiente podemos atentar às suas obras, à cadência a que elas foram produzidas e à diversidade e originalidade nelas patentes. "Informação ao Núcelo", "Sintoniza", "Inspector Mórbido - Instrumentais", os dois álbuns de Dealema e mais uma infindável série de participações, tudo isto num movimento que só agora se começa a impor em Portugal. Enquanto uns dizem que fazem, ele faz mesmo, o que comprova o seu verso: "enquanto for vivo darei provas que existo".
Deixando as referências e passando à análise, podem ser descobertas, tanto nas letras como nos instrumentais, duas linhas paralelas de cores diferentes. Nelas, podem ser escritos títulos, como: "Alegoria da Vida" numa e "Tolerância Zero" noutra; ou "Tropicaliente" na primeira e "Psicofonia" na segunda. Pelo que foi dito e pelo que é que se pode absorver quando o ouvimos, penso ser indiscutível que estamos a falar de um dos artistas que já está gravado na página dourada do HipHop Português. |
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| INSPECTOR MÓRBIDO COM NOVO ALBUM |
Fuse enumera duas grandes paixões na sua vida: o Hip Hop e o cinema fantástico. Juntar essas duas paixões numa obra pensada e estruturada foi, por isso mesmo, um acto natural. “Instrumentais”, o álbum assinado como Inspector Mórbido, funciona assim como uma banda sonora para um filme de terror, feita do sampling de sons, mas também de imagens só ausentes se não se souber fechar os olhos e deixar as suas batidas comandar a nossa imaginação. Hellraiser, Nightmare on Elm Street, Interview With The Vampire, Wishmaster, Bram Stoker's Dracula, Poltergeist, Friday the 13th, Lord of Illusions, The Night of The Living Dead, Army Of Darkness, Sixth Sense ou Vidoq são alguns dos filmes favoritos de Fuse dentro do género fantástico e colam-se assim a uma outra série de referências, essas musicais, dentro do Hip Hop. O resultado da conjugação desses dois universos é um álbum poderosamente dramático, pesado, denso e negro. Uma coisa é certa, Fuse não se escusa a explorar o lado mais obscuro da mente humana. E faz isso na construção dos seus beats, carregando nas atmosferas pesadas, abusando do drama e do suspense. Claro que a criação de batidas não é uma actividade nova para Fuse que desde “Informação ao Núcleo” dá a conhecer este seu lado de arquitecto sonoro. Mas “Instrumentais” revela o seu enorme talento ao fazer a actividade de produção de beats curvar-se a um conceito específico. |
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